O blog FERNEM

Atualizado: 18 de Mar de 2019

O Blog da FERNEM é um espaço que tem como propósito proporcionar informações qualificadas, em temas diversos, que impactem sobre o dia a dia das Redes de Negócios. O espaço será destinado a especialistas para apresentação de artigos e para entrevistas, com previsão de divulgações quinzenais.


O Primeiro tema postado trata sobre a atuação coletiva, reforçando os impactos positivos, mas os cuidados necessários para a criação e condução. O artigo foi escrito por Bráulio Soledade de Araújo, Especialista em Gestão Estratégica de Negócios, Gestão Avançada de Redes, Comércio Internacional, Pós graduado em Gestão de Agroindústrias e MBA em Marketing Estratégico.


Atuação empresarial coletiva: ótimos resultados quando tomamos alguns cuidados essenciais.


Atuar de forma coletiva é uma ótima alternativa para empresas também, sendo uma estratégia muito interessante para quem deseja aumentar o poder de barganha do negócio. São muitos os casos de empresários que buscam na atuação coletiva a possibilidade de poder comprar mais barato, poder realizar ações de comunicação e promoção de forma mais abrangente, dividir processos operacionais diluindo custos, aumentar a força de atuação junto ao mercado comprador e conseguir melhores apoios no âmbito de políticas públicas. Por causa disso nota-se um aumento significativo do número de centrais de negócios, cooperativas, consórcios, condomínios de empresas, entidades representativas e outras formas de alianças ou parcerias estratégicas.


Mas a atuação coletiva precisa de cuidados para que não resulte em experiências ruins para os envolvidos. Conheço muitos casos de atuações coletivas que foram encerradas de forma prematura ou que estão vegetando na “UTI” esperando apenas alguém desligar os aparelhos.

Diante disso preparei alguns passos que acredito serem fundamentais para potencializar mais os bons resultados a partir de uma atuação coletiva:


1) Identificar um grupo com afinidade de propósitos


Fundamental verificar quem tem interesses e crenças parecidas. Essa busca pode ser junto aos concorrentes, fornecedores, representantes comerciais, pontos de venda e de consumo. Normalmente as alianças surgem entre concorrentes, mas existem casos de integração dentro da cadeia de valor.


Provocar reuniões para identificar potenciais parceiros é o caminho mais indicado. Essas reuniões podem acontecer em ambientes formais ou informais, sendo fundamental cuidados como: coordenação, respeito as ideias dos demais e registro de informações.


2) Conviver para conhecer e confiar


O Consultor Univaldo Cardoso, amigo das Minas Gerais, desenvolvedor da Estratégia de Abordagem da Cultura da Cooperação, apresentou uma sequência que considero importantíssima para atuação coletiva.


É necessário conviver para poder conhecer.

Conhecer para poder confiar.

E confiar para poder construir juntos”.


Concordo plenamente. A atuação coletiva, independente de sua duração, é uma sociedade. Como participar de uma sociedade sem conhecer devidamente os novos sócios?


Nessa fase é fundamental verificar quais os valores deverão ser seguidos para maior sustentabilidade do grupo. Seguem alguns exemplos: condução ética, união, honestidade, respeito, responsabilidade, transparência, determinação.


Não adianta apenas indicar os valores que deverão ser seguidos. É fundamentar que todos internalizem que tais valores serão responsáveis pela duração da sociedade.


3) Avaliar possibilidades para conclusões preliminares


Fundamental avaliar com os demais componentes quais são as melhores possibilidades para o grupo e como poderão ser mais fortes com a atuação coletiva. Essa é a fase para aprofundar e analisar devidamente ideias. Para isso é fundamental conhecer a cadeia de valor onde as empresas estão inseridas e métodos adequados de análise. Caso o grupo não tenha segurança para conduzir sozinho o processo, recomenda-se a atuação de um Consultor especializado.


É muito comum encontrar Redes que nascem para fazer compras conjuntas apenas, apresentando ganhos na relação com fornecedores. Algumas avançam para a gestão de marca única (branding), o que requer um cuidado muito grande de condução, mas que reforça a imagem junto ao mercado. Existe também a possibilidade de avançar para serviços integrados, que reforcem cada vez mais o ganho de eficiência, podendo ser serviços de acompanhamento da gestão, contábeis, jurídicos, de comunicação, financeiros, entre outros tantos.


Ao final da avaliação haverá possibilidade de identificar as melhores oportunidades, quais as potencialidades reais para o grupo e quais os campos prioritários. Nesse ponto será definida a sequência ou não do trabalho. Havendo sequência, será determinado o foco de atuação.


4) Projeto


Fase comumente esquecida por pessoas, empresas e grupos. Quantas pessoas você conhece que possuem um projeto de vida? Quantas empresas desenvolvem e implementam um Plano de Negócios ou até mesmo apenas o Planejamento Estratégico? Conheço diversos casos de grupos de empresas ou pessoas que não possuem planejamento.


O planejamento completo é o próximo passo após a determinação do foco de atuação. Lógico que após a implementação o grupo deverá ajustá-lo ou realizar novos planejamentos.


Nessa fase serão definidos os resultados a serem alcançados, a estrutura necessária para isso e seu modelo de funcionamento. Nesse ponto será definida qual a formatação jurídica para o grupo, o que infelizmente a maioria faz antes de analisar possibilidades e do projeto.


Já vi muitos casos de grupos que foram formados sem passar pelo processo de análise e convívio coletivo. Casos onde organizavam uma reunião, pegavam modelos de regimentos, estatutos ou contratos para fazer as famosas adaptações. Depois partiam para formalização do empreendimento. A maioria absoluta passa por grandes dificuldades ou fechou as portas.


5) Implementação de modelo de gestão


Também são vários os casos de grupos que fizeram algum tipo de planejamento mas que não conseguiram implementar, tendo uma verdadeira “Bíblia para Ateu”. Esse é um desafio enorme para os empreendimentos. Como implementar o que foi planejado? Seguem dicas:


  • Definir fluxo de atividades necessárias;

  • Detalhar estrutura organizacional profissional, principalmente quanto a execução;

  • Definir procedimentos necessários;

  • Definir Estatuto, regimento interno, contratos, atas,...

  • Etapas de implementação; e.

  • Desenvolver método para monitoramento.


A depender do nível do projeto, as atividades descritas acima já estarão incluídas.


Somente após cumprir todas as etapas anteriores que o grupo poderá partir para os procedimentos de formalização do modelo de atuação coletiva e começar desenvolver as atividades previstas. Importante não confundir cuidados necessários com excesso de burocracia.


Sucesso e até a próxima!!


Bráulio Soledade de Araújo

Gestor Executivo da FERNEM


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